Entre o real, o sonho e a ilusão


Quando o meu verso era só amor,
a minha vida era pura solidão.
Hoje, encarando a minha verdade
já nem posso falar mais de paixão!


Se amar demais foi o meu erro,
o desgosto agora, virou inspiração;
sempre vivi um grande dilema,
entre o real, o sonho e a ilusão...


Chegando tardiamente a realidade
me vi perdida, num caminho sem rumo
onde tudo é breu, tudo é escuro...



mas, quem tem um Deus por opção
se levanta, mesmo na escuridão,
pois a fé, nos leva a um porto seguro.

Detalhes e canções




Existem momentos em que me pergunto: por que as pessoas mudam tanto? Por que são tão superficiais, embora pareçam tão profundas e verdadeiras?
Que foi feito dessa pessoa capaz de escrever tanta coisa linda? Por onde anda, quem um dia tanto acreditei e fui capaz de jurar que havia amor. Como alguém consegue falar de amor em prosas e versos, sem de fato sentí-lo? O meu sentimento é de decepção! 

Detalhes e canções

São os detalhes. Sempre.
Algo como o brilho dos olhos, ou o jeito de olhar. Um sorriso luminoso, uma forma diferente de mexer nos cabelos; a voz, o andar. Pernas bonitas, lábios atraentes, mãos macias.
É o jeito de ser. O riso dengoso, a ânsia latente, a forma de entrega. Um gesto de carinho, um afago, um beijo demorado. São as conversas em voz baixa, a troca de idéias, a permuta de sentimentos.
E, de repente, alguém se torna especial. Como se concentrasse o mundo. A alegria do mundo, a própria essência da vida. Como se a sua presença modificasse tudo, tornasse o mundo melhor.
Como se no seu beijo estivessem todos os sabores; como se a sua pele tivesse a maciez da seda, e no cheiro do seu corpo estivessem contidos todos aromas da natureza.
E, de repente, é como se nada mais existisse. Como se o coração se tornasse um palco, onde as cortinas se abrem para o espetáculo de um único personagem. Um espetáculo que se repete, sem perder o encanto.
É algo que vai além do corpo. É o encontro das almas, que torna doce o silêncio, ao dispensar palavras. É a compreensão numa troca de olhares, a comunhão das mãos dadas, a ternura de um abraço.
É a plenitude, que traz a bonança da saciedade, após a tempestuosa viagem, nos mares do prazer. É o desejo intenso, que se transforma em momentos de abandono e se perde no carinho infinito que sucede ao orgasmo.
É o bico delicado do seio, apenas entrevisto; é a nota de desejo que enrouquece a voz e brilha no olhar. É a viagem encantada pelo universo de um corpo que se entrega; que se contorce e vibra, retribuindo o prazer que recebe.
Mas é também, a sensação de companhia na alma. É o conforto de um leve toque, do simples roçar dos lábios, das respirações que se misturam. É a sensação de presença, ainda que os corpos não estejam juntos.
É dos detalhes, que nasce o amor. Como da pequenina semente brota a árvore gigante, que domina a paisagem e ao seu redor espalha a vida, que se renova em cada pequenino broto caído sobre o solo.
É algo indefinível. Porque as palavras, que expressam as ideias, não conseguem dar vida aos sentimentos; as canções que elevamos diretamente ao coração do Universo.
Muitas vezes a canção do desejo pode nascer dos vossos corpos.
Mas apenas o amor ressoa em vosso verdadeiro Eu.