Descaminho

Ando pelo vazio da minha alma. Corredores escuros, estreitos. Sinto um frio enorme. A sensação talvez, seja de um mundo distante, profundo, totalmente desabitado.

Vou ao encontro de um coração; doente, fragilizado, tentando encarar a véspera de uma suposta viagem, ou, quem sabe encontrar um caminho.

Preciso saber quem sou, porque no meu peito, a alegria foi embora. Nele, só existe um ser tristonho, ansioso, que não mais conheço; isolado.

Nunca tive tanto medo de ser eu mesma. Nunca tive tanto medo de encarar a verdade. Talvez seja minha última esquina; medo de amar, medo de voltar a sonhar, medo desse descaminho.

Na minha alma plantei um sonho. Hoje colho os frutos dos dissabores.

Na minha vida cultivei carinhos, onde pensei existir amores.

Diário

23/02/07 - 18.00

Apenas um desabafo:

Amor, perdoe por tudo. Sei não será ainda dessa vez. Talvez meu aprendizado esteja distante e não seja o momento de lhe merecer.

Apesar dos espinhos encontrados em minha estrada, não consegui absorver a lição. Distante estou do amadurecimento espiritual, pra entender esse jeito de amar. Ainda me sinto presa ao físico.

Difícil olhar o meu mundo sendo desfeito, por ainda, não ter esse grau de conhecimento. Triste me ver como pivô das suas inquietações e aborrecimentos, pelas minhas insanas reivindicações.

Sei do meu tempo breve por essas paisagens e os meus anseios em viver meus sonhos, enquanto ainda me resta tempo, disposição e coragem. Mas nada que não possa suportar, ante aos desagrados que lhe causo, pela minha falta de compreensão e entendimento, sobre sua visão de mundo, de sentimento e de vida.

Não posso deitar e conciliar o sono, não posso olhar minha vida, nem tudo que me cerca, sem que você esteja em meus pensamentos, em meu coração. Você é tudo que sonhei. Pena ter chegado na hora errada, nem ter merecimento pra acompanhar sua jornada. Mas ainda e mesmo assim, jamais fui tanto de um ser, como sou toda sua.

24/02/07 - 04.25

O pânico/desespero:

Já passam das 4 da manhã. No silêncio da casa a dor da tristeza invade minha alma. Sinto calafrios, falta de ar, medo de não mais acordar e vontade desse mundo deixar.

Hoje me senti um ser tão pequeninho, tão insignificante que poderia ser esmagado por uma formiga. Hoje desejei não ter passado e que o futuro me rejeitasse. Há muitas perguntas sem respostas e muitas respostas vazias. Se eu pudesse voltar no tempo, com certeza, nada mudaria. Mas a Deus eu pediria; que o amor nunca me visitasse, sentimento? Só se fosse orgulho e vaidade. Desejos apenas materiais. Companhias sem vínculos de qualquer espécie.

Humanidade mais desumana!..

Não queria ser boba, não queria amar, não queria essa tristeza, não queria solidão. Queria ser mais entendida. Não queria um amor apenas na lembrança, não queria mais essa minha vida vazia, não queria mais ter esperança.

Pra que falar?
Pra que falar, se não se tem capacidade de cumprir? Pra que se mostrar puro, ingênuo, se bem sabemos, impossível, homens assim. A mão que acaricia, sempre será capaz de bater. A depender das circunstâncias, todos nós seremos capazes de cometer os mesmos erros. O que nos diferencia é apenas, questão de oportunidade e estar na hora errada, no lugar errado. Os olhos que passam paixão e desejo, podem esconder a raiva e dissimular emoções. Aquele que se diz santo, nada mais quer esconder, que as garras de um lobo. Quanto mais pensamos conhecer as pessoas, nos surpreendemos com elas. Os discursos mudam de acordo com interesses. Palavras são empregadas conforme o que se quer alcançar e assim vivemos, sem saber com quem na verdade lidamos. O que hoje nos surpreende e nos enche de felicidades, amanhã estará nos surpreendendo com amarguras. Palavras ditas; feridas abertas. Palavras proferidas; alegrias manifestas. Um olhar, uma doce emoção. Um olhar, que machuca o coração.
silêncio Meu tempo passou, a janela fechou, a cortina desceu, o sonho acabou. A ficha caiu, o sol se escondeu, o brilho ofuscou, a mulher morreu. Mas um tempo que passa, mais um tombo do destino, uma vida sem graça um louco desatino. Amor - ilusão, sonhos - projeção... Amargura - planos desfeitos; tristeza - vazio, silêncio - solidão.
Amor lindo, pra você com todo meu carinho! Beijos, te amo infinitamente!
Ilusões

Talvez esteja acordada. Ou esse seja um momento em que quisesse dormir uma eternidade. Um mundo que cai, uma realidade que se descortina. Uma vida que vai, uma noite fora da rotina.

Pessoas que se desnudam e no dia após dia, em silêncio escancaram. Atitudes que denunciam o que a boca não fala, olhos que desmentem, o que em confissão se declara. Uma ilusão, uma amargura se instala. Folhas que caem, que fora do tempo murcharam. Desejo contido, amor reprimido... a doce ternura... os sonhos... um apelo! Uma louca vontade. Sumir no mundo, desencanto que desatina. Antes, fosse apenas um pesadelo; ai meu Deus, quem dera!...
Meu Flá

Enquanto o mar azul tocar o firmamento, tu estarás sempre em meu pensamento!

Te amo!

Tua Lú

Bonecos birutas
Atendendo uma solicitação do amigo Serbão, me integro a essa campanha de solidariedade, em prol dos bonequinho birutas. Já há algum tempo, venho percebendo, o desaparecimento dessas tão comoventes e utilitárias figurinhas. Dado preocupante, uma vez que elas já fazem parte do nosso meio ambiente. Quem nunca se emocionou ao passar num posto de gasolina, ou, em pontos estratégicos da cidade e se deparou com esses meigos bonequinhos, desempenhando tão bem seu papel, (de bestas)? Essa campanha é mais que justa. Precisamos voltar a desfrutar das nossas paisagens, animadas pelo carisma, colorido e imponência desse meio de comunicação tão popular. Esses bonequinhos, já desempenharam papeis importantes, na vida das pessoas: certa feita, andando nas ruas de uma cidadezinha do interior, uma colega de escola sentiu uma dor de barriga muito forte. Não conseguimos achar um local, onde pudesse resolver o problema, desesperada, adentrou numa pastagem. Na tentativa de ajuda-la, percorri alguns metros procurando um mercadinho, mercearia, padaria, ou qualquer local, onde pudesse comprar papel. Foi em vão. Quando já havia desistido, eis que vejo adiante, um bonequinho biruta, que trazia na mão um rolo; naquele instante, não pensei duas vezes: corri, arranquei-o e fui leva-lo para a colega. Toda cidade tomou conhecimento do fato. Daquele dia em diante, eles se tornaram importantes para a comunidade e foram aclamados em praça pública, ganhando um local privilegiado no centro da cidade.
Portanto, nada mais que justa a conclamação. Minha sugestão é que cada participante da campanha consiga arrebanhar um número expressivo de pessoas, para que juntos empreendamos uma caminhada, saindo da Praça da Matriz, em Manaus, com destino a Praça dos Três Poderes, em Brasília, numa tentativa de chamar assim, a atenção das autoridades.
(o que não se faz por um amigo, heim?)

Hoje

Hoje não estou num dia bom pra falar, nem pra escrever e muito menos pensar. Há muita coisa que não consigo entender é mais um dia, que triste vejo o entardecer. Hoje no primeiro clarão do dia, perdi minha alegria e nada pude fazer. Hoje pra mim seria pouco, se do mundo, eu tivesse o desgosto, mas que, não me faltasse você. Hoje eu queria entrar num sono profundo, quem sabe acordar em outro mundo, a ficar, tanto tempo sem lhe ver. Hoje, por mais triste que eu esteja, será pouco, em vista do que minha alma almeja, por não conseguir compreender. Fechar os olhos e lembrar do muito que falta, de como o tempo se arrasta, do quanto a saudade me mata, e nada me faz esquecer. É difícil saber que na vida, depois de tanto ferida, passo a passo, caminho pra solidão. Pior, que não sei mais o que faço, se só me perdendo em seus braços, sinto pulsar o meu coração.

Meu Flá, eu não existo sem você.