A face do amor

Parece que foi ontem.

Começamos num encanto,

numa euforia, numa sedução.

Lembranças, musicas

e cheiros traziam emoção.

Passou o tempo

e isso, não te acompanhou.

Hoje eu te sinto te esvaindo,

de mim, cada vez mais sumindo.

O inverso do que me acontece;

quanto mais eu te vejo,

mais te amo, mais te desejo.

Tu que já senti tão meu,

hoje tomas aos poucos,

o que é teu.

Já não há mais fusão no desejo,

nem na entrega do beijo.

Já não lembras de mim, como outrora,

Já não há mais tempo pra me ver.

Meus dias são apenas lembranças.

E quando presente,

te faz inocente...

Mas o olhar denuncia,

que a alma está vazia.

Antes de tudo voltar a acontecer,

sem que tu soubesses,

em mim, tu ainda vivias.

E como a tua forma,

não mais a tinha,

ela confundia-se com a minha.

Pois no meu eu,

tu eras ainda meu.

Por isso,

te falo algumas coisas;

mas nunca lembras...

nem queres lembrar.

Coisas que te confesso,

já me escutas disperso.

Tu, que pra mim,

és um Deus,

quando toca o corpo meu,

nunca me deste,

o que a ti sempre doei...

...a certeza que a outro,

jamais doaria,

esse amor que sinto,

ser, tão teu.

Que te entrego

com tanta intimidade.

Quando no nosso reencontro,

nos teus olhos

vi grande espanto,

do meu desejo,

sem vaidade.

No teu corpo me difuso,

quando em nossos momentos,

em ti, me confundo.

É, unicamente nessa hora,

que em tua alma

me introduzo.

E não é apenas corpo!

Mas o teu,

não é apenas meu,

enquanto o meu

é tão somente teu.

Quando estás distante

fico totalmente ausente.

Vives teu mundo distinto,

onde tu,

a mim não sentes.

Quero então me abraçar;

dizer que me amo!

Mas é no teu corpo,

que vivo a minha verdade.

É o teu corpo,

que em mim pulsa,

quando te chamo.

De qualquer jeito que tu venhas;

embora às vezes, atormentada,

em teus braços esqueço a dor;

e loucamente te possuo,

os meus desejos em ti confluo,

pois é esta,

a face do meu amor.

Obrigada Senhor!

Graças senhor, pelo dom da vida!

Pelo amanhecer e respirar o ar da natureza,

pelo anoitecer, que oferece o céu e as estrelas,

pelo tempo que sacia a vontade do saber,

pelas experiências passadas,

pela brisa, que traz a sensação de leveza.

Pelos sonhos, que deixam o desejo de realizar,

pelo amor, que me enche de emoção.

Pelos anseios que trazem esperança,

pela canção, que é o poder da criação.

Pelo dia, que proporciona; tristeza e alegria,

pela família querida, que trago no coração.

Pelos filhos que engrandecem minha alma,

pelas palavras que me encorajam.

Pelas lágrimas, que me fazem ver um novo dia.

Pelas amarguras que me fortalecem.

Por todos que fazem parte da minha vida,

pelos amigos, que por aqui, sempre passam.

Pelo fato de existir, por ser quem sou.

pela ternura que me oferece e pelo carinho.

Pela paixão, que alimenta meu desejo,

Pelo beijo, que me faz ouvir canções...

Pelo seu amor, que tão feliz me faz,

pelos seus olhos, que iluminam meu caminho!

Longe e tão perto

Aqui a contemplar este céu. Bem pertinho do mar. E nesse espaço lindo a sonhar. Vejo em cada nuvem, o teu olhar. Aquele que me desnuda e me deixa assanhada. Ah!.. enlouquecida, desvairada...

Eu aqui, pés fora do chão, coração na mão. Olhos fixos nos teus, que mesmo de longe, trago junto aos meus. Infinita ternura, ai... saudades! Das tuas mãos, que me afagam e me fazem chorar de emoção.

Nessa hora, cheia de doçura, em que minha pele sente o tocar da tua, que escuto essa voz que tanto me afaga a alma e me deixa em transe, inebriada e depois me acalma. Vejo-te dentro mim e me perco assim, encantada.

Agora, preciso te abraçar e em teus braços ficar. No teu toque é que me sinto viva, querida, amada... será que naquela estrela vou te achar?. Pois só me perdendo em teus braços, que eu consigo me encontrar.

Neste instante, o marulhar me trouxe tua lembrança e apesar da distância, tão perto te sinto. Sei que é assim, eu pressinto. No lusco-fusco te vejo, te acompanho, bem de pertinho, sorrateiramente e devagarzinho, beijo tua boca com todo carinho.

Amor eterno

Conheci o teu rosto,

Em algum lugar no passado

e já chorei o desgosto,

do nosso amor acabado.

Outras pessoas conheci.

Refiz-me em outros braços.

Em outros beijos me perdi,

por tantos rumos criei laços.

Anos que demoravam passar,

Sonhos, que nem com o tempo perdi.

Vida que não queria encarar,

beijos que jamais esqueci.

Foram lições diferentes

vivencias que trouxeram dor.

Deixaram rastros evidentes,

que jamais esqueci teu amor.

Pela mão do destino, te reencontrei,

algumas palavras, um beijo, um olhar;

estou contigo novamente...

Hoje, meu caminho refaço,

Em teus braços me abrigo, me enlaço;

Percebi, que te amo eternamente!

Hum... essa minha loucura!..

A noite desceu

e com ela a saudade e vontade de você!

O ventinho frio, que passa pela pequena abertura da janela

e a escuridão do nosso quarto,

trazem de volta, lembranças tão constantes

e as marcas da tua passagem por aqui.

Hum... este cheirinho que ficou nos lençóis...

as nossas roupas em desalinho

faz-me sentir, você em mim, novamente.

No coração sinto, ainda,

o pulsar da nossa emoção

e no meu corpo trago marcas inesquecíveis, do teu.

Tento então desviar o pensamento,

mas impossível não pensar, não querer, não desejar...

Como negar algo, que vive pulsando em meu ser?

Como não ouvir os gritos desesperados da minha alma

e os anseios frenéticos do meu corpo?

Como negar, a minha vontade de te amar, em te ter?

E nessa minha loucura,

tento disfarçar; abraço o inerte travesseiro,

mas... sinto o teu cheiro...

e nele me embriago, pensando em teu excitante beijo.

E viajo em nosso mundo,

entre a mais doce ternura e o mais intenso desejo.

Ilusões

Talvez esteja acordada.

Ou, esse seja um momento

em que quisesse dormir uma eternidade.

Um mundo que cai, uma realidade que se descortina.

Uma vida que vai, uma noite fora da rotina.

Pessoas que se desnudam

e no dia a dia, em silêncio escancaram.

Atitudes que denunciam, o que a boca não fala,

olhos que desmentem, o que em confissão se declara.

Uma ilusão, uma amargura se instala.

Folhas que caem, que fora do tempo murcharam.

Desejo contido,

amor reprimido...

a doce ternura... os sonhos... um apelo...

Uma louca vontade!

Sumir no mundo, desencanto que desatina.

Antes, fosse apenas um pesadelo;

ai meu Deus, quem dera!...
Sejas Feliz

O céu pode perder as estrelas, o mar inteiramente secar, o mundo deixar de girar, a lua se esconder e o sol não mais brilhar, ainda assim, eu vou te amar.

Foi num dia tristonho, por obra do destino, que tua mão me tocou. Foi numa hora carente, que em minha alma Deus te colocou.

Numa noite enluarada, num raio de luz cintilante, o coração percebeu. Num instante, todo meu ser dominastes e em mim, para sempre ficastes.

Foi num dia mais triste ainda, que vi teu olhar de mim, se perder. Minha voz emudeceu, minha alma secou, meu mundo desmoronou.

Hoje meus dias são tristes, minhas noites não têm fim, nada mais tem sentido, desde que em silencio anunciastes, que não eras para mim.

O mundo parou; o céu entristeceu, a voz fraquejou, meu olhar perdido, nada entendeu. A lágrima rolou, a casa caiu, o coração partiu.

Segues teu rumo, alces o vôo que tanto desejas. Quero o brilho em teu olhar, pois o céu é o teu limite. Vai meu sonho mais bonito! voe ao encontro do infinito.

Que sejas feliz! Que encontres teu caminho. Existe algo que por ti, não tenha feito? Apague esse vazio, que em ti persiste e reacenda esse amor que sei, existe.

Perdoe por tudo que te tenha causado. Nada foi por querer. Vejas, o sol brilha e ilumina teus passos. Olhes a vida, quanta grandeza de rara beleza!

Não tenho mais ilusões, não tenho mais sonhos, nem quero saber de paixões. Minha fonte secou. Só a dor da saudade comigo ficou.

Te amo mais que tudo! Como prender-te e te ver intranqüilo, infeliz? Quem sabe, em outra dimensão poderei ficar em teu coração?

Por favor, esqueça o meu lado negativo. Bem sei que o tenho. Lembra das vezes que te fiz sorrir e das muitas, que em meus braços, pleno te fiz sentir.

Que importa minha infelicidade? Que nas minhas lagrimas de tristeza, eu consiga ver teu sorriso no rosto, para que assim eu possa, aliviar meu desgosto.

Se acaso em tua jornada, a minha lembrança tocar teu coração, voltes correndo. Pois certo é que nos meus desejos, loucamente, anseio por teus beijos.

Anjo de ternura

Ao chegar ao teu jardim

no orvalho vi, tua imagem refletida.

Na beleza singela do jasmim,

o aroma da tua flor preferida.

Fitei-a e num tom inquietante

perguntei a essa flor;

por que habitas nessa campa,

onde dorme, meu amor?

Como resposta, a atrevida,

aquela florzinha, entristecida

fitou-me e disse com doçura:

aqui guardo, este anjo de ternura...

Revendo velho album de fotografias, encontrei esta foto de minha mãe aos 20 anos.
É a minha mais doce e triste saudade! Mas, o amor que nos une, vai até a eternidade!
A importância do desenho na avaliação emocional do indivíduo
A subjetividade no desenho, a passagem das questões emocionais para o ato de desenhar, traz identificações importantes de transtornos nesses aspectos. É a observação do transcrever, na sua totalidade, sentimentos despojando-se de conceitos alienantes, sedimentando as suas clausuras de forma plástica: ex: telhados de casas, chaminés, coerência etc. Esta plasticidade permite identificar o sentido da vida, a significação, gratificação emocional, realização, etc. São dados que se transformam em linguagem expressiva do indivíduo.
Ao observarmos as diversas expressões, identificamos as veredas existenciais, que norteiam o desenvolvimento da personalidade e suas áreas conflitivas. Observar no aspecto analítico, não significa simplesmente procurar descobertas, porém, entender no campo da expressão, as situações de crescimento, mesmo existindo situações, onde as percepções possam ser transformadas e elastecidas, no seu universo existencial, apesar de envoltas, em muito sofrimento e dor.
Importante nesses casos, não é estar junto do indivíduo, mas atuar junto. O que significa levá-lo a uma reflexão, sobre o quanto a existência pode estar comprometida, pela perda do sentido da vida e faze-lo entender, que apesar de envolta em sofrimento e dor, possui outras formas e possibilidades.
A ajuda psicoterápica dos desenhos leva-nos a situações de identificações subjetivas plenas. Pois cria caminhos de forma experimental, que identificam as questões existenciais.