É loucura, ou solidão?


Na frieza da noite,
no vento que sopra
nas estrelas que no céu
já não vejo brilhar,
da um nó na garganta
um aperto no peito
uma imensa saudade,
que me faz chorar.

No véu da neblina
a chuva fina, a garoa,
no lusco-fusco a tristeza ecoa
da lua nova a lua cheia...
De longe escuto seus passos;
é loucura, ou solidão?
Chora o meu coração
no frio que meu corpo permeia.

O sol que não brilha
nessas ruas desertas
e as luas escondidas
no vazio das madrugadas
nos pensamentos reinantes,
o brilho dos seus olhos
o aconchego do seu colo,
dos meus desejos constantes.

O sol, o sonho e a lua


Havia uma lua tristonha,
que perdeu seu encanto
e de tristeza chorou...
Havia um lugar solitário,
a espera do seu donatário
que ninguém nunca ocupou.

Havia um sol entristecido,
num fim de tarde recolhido
onde o amor se escondeu.
A lua, ao ver seu desencanto,
camuflou até seu pranto
e os braços lhe estendeu.

Mas essa lua minguante
apesar da fase reinante
sua paixão lhe mostrou;
surgiu detrás da colina,
sorrindo feito menina
e o seu pranto secou.

E aquele sol tão tristonho
se agarrou aquele sonho
se travestiu de esperanças...
e de mãos dadas sol e lua
iluminaram toda rua,
sorrindo feito crianças.